
Se tem uma coisa que brasileiro faz sem perceber é falar portunhol como se estivesse arrasando. E tudo bem — ninguém nasce sabendo, e a semelhança entre português e espanhol realmente engana. A gente pensa: “é só dar uma espanholisada e pronto”. Só que, quando você precisa pedir informação na rua, resolver algo no aeroporto ou se comunicar no trabalho, esse pseudo-espanhol não dura nem dois minutos de conversa.
A verdade é que os falantes nativos de espanhol não vão entender quase nada do seu portunhol. Uma simples conversa vira um peso — e, pior: passa uma imagem de insegurança. Muita gente trava, desiste de falar, ou pode até achar que está falando bem — mas não está.
O objetivo aqui é aprender o suficiente para funcionar na vida real, para ganhar certa independência. Nada de teoria demais. Nada de perfeccionismo. Devemos começar com o essencial que evita vergonha, mal-entendidos e aquela sensação de “eu até entendo, mas não consigo falar”. É óbvio que, se você vai trabalhar com espanhol diariamente, morar em um país onde se fala espanhol ou passar em uma prova, é necessário ir além. Mas não é para isso que você está aqui, certo?
Por que o “Portunhol” não funciona na prática
Quando comparamos o português e o espanhol, chegamos a conclusão que são “primos próximos”. Mas na hora que vamos conversar e analisamos o sotaque, expressões, costumes e valores, percebemos que existem muitas diferenças.
Em espanhol, você entende rápido. Eles falam, você pesca 70%, às vezes 80%. Parece que vai dar certo. Mas na hora de responder, descobre que entender é fácil, mas falar sem passar vergonha é o desafio real.
E aí vem o comportamento clássico do brasileiro:
- inventa palavras que não existem.
- adapta português colocando “sotaque espanhol”.
- troca sons que acha que estão certos.
- tenta adivinhar vocabulário.
- acredita que “é tudo igual”.
É assim que nasce “Mi está na ” (“meu carro está no escritório”), ou ainda, “Mi joelho está doendo” (às vezes até pronunciam “roelho”, achando estão arrasando, sendo que o correto seria “Me la ”. E depois você não vai saber por que estão rindo de você.
Resumindo. Na prática, Portunhol não funciona!
Sinais de que você está preso no “Portunhol“
Se você é daqueles que confia só no seu portunhol para conversar com falantes nativos, te garanto que está cometendo, se não todos, vários dos seguintes erros:
- Repete sempre os mesmos erros, já que não sabe o que é certo e o que é errado.
- Entende bem, mas trava para responder.
- Sua pronúncia não muda — porque nunca aprendeu a correta.
- Usa palavras que não existem em nenhuma das duas línguas.
- Tenta falar rápido para parecer fluente e só piora a situação.
- Confia demais na familiaridade do português.
- Aprende palavras em vídeos da Espanha e fala com um latino (ou vice-versa).
- Quando tenta ser formal, seu portunhol sai mais estranho ainda.
- Pensa em português e joga um “sotaque espanhol” por cima.
- Acha que portunhol é suficiente.

Nenhum desses pontos te impede de falar. Mas todos te impedem de falar com segurança, ser entendido e criar conexões significativas com falantes de espanhol.
Vocabulário: pare de usar palavras que não existem
Adivinhar palavras não funciona. Se você quer parar de “chutar” palavras e começar a falar com mais segurança, o primeiro passo não é aprender muito, mas aprender o essencial certo. Um vocabulário pequeno, porém correto, já muda completamente a forma como você se expressa e é entendido em espanhol.
O erro que mais trava brasileiro: querer falar “bonito”
Muitos brasileiros acreditam que, para falar espanhol, é preciso soar fluente desde o começo. Tentam imitar sotaque, usar palavras difíceis e falar rápido demais. O problema é que essa busca por “falar bonito” gera tensão, erros desnecessários e acaba travando a comunicação antes mesmo dela começar.
Para se comunicar bem:
- Fale devagar.
- Use frases curtas.
- Repita vocabulário simples.
- Não adivinhe palavras.
- Aprenda vocabulário específico do país e evite gafes.
Você pode cometer erros, mas terá mais confiança e será entendido.
Frases que resolvem 80% das situações
Na prática, você não precisa de um vocabulário enorme para se virar em espanhol. A maioria das conversas do dia a dia se repete e segue padrões simples. Quando você aprende algumas frases-chave, consegue lidar com a maior parte das situações reais — mesmo cometendo erros e mesmo sem falar “bonito”. Aqui estão alguns exemplos de frases essenciais:
- → Oi, como você está?
- / / → Por favor / Obrigado(a) / De nada
- / / → Desculpe / Perdão / Sinto muito
- ¿ la ? → Onde fica a estação de trem?
- un para → Eu gostaria de um bilhete para [destino]
- ¿ a esta ? → Pode me levar para este endereço?
- ¿ ? → Quanto custa aproximadamente?
- a de [nombre] → Tenho uma reserva no nome de [nome]
- ¿ por ? → Quanto custa por noite?
- ¿ ? ¿ es la ? → Tem Wi-Fi? Qual é a senha?
O simples funciona!
Como treinar todos os dias sem virar aluno
Muita gente acredita que só aprende espanhol se virar aluno de um curso formal. Mas a verdade é que consistência pesa mais do que sala de aula. Com um método simples e realista, é possível treinar todos os dias, ganhar confiança e evoluir no idioma sem depender de aulas longas ou complicadas.
Experimente começar com este método:
- Leia 5 frases do PDF.
- Repita em voz alta.
- Use uma frase por dia, simulando uma situação cotidiana.
- Assista um vídeo curto em espanhol no sotaque que deseja usar.

Seja simples. Seja rápido. Seja funcional.
